Aqueles olhos poderiam esconder muito mais segredos
do que minha alma poderia suportar.
No meio daquela
confusão na boate – e sendo totalmente afastada da Lexi - eu senti meu braço
sendo puxado e me virei para ver quem era o idiota que estava me rebocando para
fora, mas só com a luz do luar eu consegui decifrar os traços do meu eterno
salvador, e me sobressaltei quando percebi quem era. Meu corpo instantaneamente
paralisou ao ver Henrique parado na minha frente.
Ele me olhou de
soslaio e continuou me puxando até um camaro amarelo com faixas pretas,
desligou o alarme do carro, e entrou deixando a porta do carona aberta para
mim.
- Você acha que
eu vou entrar nesse carro com você? - perguntei com um tom de irritada, o que
não deu muito certo por causa do meu pânico.
- Você não tem
outra alternativa a não ser entrar nesse carro comigo e ir pra longe deste
lugar - Ele respondeu em um tom indiferente. E, ao mesmo tempo, em que ele
falou, ouvi o som de coisas quebrando dentro da boate, o que me fez entrar no
carro rapidamente.
Assim, que
fechei a porta, ele arrancou com o carro fazendo os pneus cantarem no asfalto,
e pegando velocidade em pouco tempo. Era confortante estar sentada naquele
carro, segura, exceto pelo motorista que estava ao meu lado dirigindo
loucamente em um trecho sinuoso. Eu ainda não havia percebido, mas a costa
estava linda iluminada com o luar, e pude imaginar como que seria a sensação de
estar naquela praia.
Quase meia hora
de estarmos na estrada, Henrique dobrou à direita, entrando por uma ruazinha
que ainda não era asfaltada. Era difícil de enxergar com aquelas árvores altas
fazendo mais sobras no escuro, mas parecia ser um lindo bosque.
- Onde estamos
indo? Eu tenho que ir pra casa. - Disse calmamente, na esperança dele saber que
eu não queria discutir e apenas ir pra minha casa.
- Você já vai
ver - Henrique respondeu sem dar mais explicações, me deixando mais confusa
ainda.
Logo em seguida
ele parou em frente de um portão e, ao que parecia, ele tinha o controle, indo
direto à uma garagem com a porta também aberta freando a centímetros da parede,
deixando-me ainda mais assustada. A casa estava toda iluminada e mesmo no breu
da noite parecia ser magnífica assim como se fosse de dia. Era rodeada por um
lindo jardim florido e de onde eu podia ver tinha lindos lírios e tulipas
coloridos, as grandes janelas davam um ar sofisticado a um local tão rústico.
Não que eu queria me desfazer da casa, mas eu sentia como se pertencesse aquele
lugar em outro tempo, por que uma casa esse tipo mexeria tanto comigo?
Enquanto
Henrique saiu do carro, eu ainda estava paralisada imaginando no que havia de
tão misterioso naquele lugar e, sem perceber, ele abriu a porta pra mim
perguntando:
- Vai ficar ai?
- Disse me olhando com curiosidade, tentando encontrar alguma pista do que eu
estava pensando.
- É sua casa? -
Não resisti e tive de perguntar.
- É - Me
ajudando a sair do carro, e me encurralado entre ele e o carro.
- Eu tenho que
ir para casa, estão me esperando - Falei quase em desespero.
Mas não
adiantou, e assim como a vontade que eu tinha de sair daquele lugar foi pelo
ralo, eu me peguei querendo ficar ainda mais, no instante em que os lábios de
Henrique encostaram-se aos meus foi como se houvesse uma troca de energia,
nossos corpos se encaixaram perfeitamente como peças de um quebra-cabeça a
muito tempo não montado. Parecia que realmente o meu lugar era nos braços dele
e seus lábios doces e macios me beijavam furiosamente como se ele fosse um perdido
no deserto a procura de água e, não posso negar que, para mim parecia o mesmo.
Ele apenas me soltou quando não conseguíamos respirar direito.
- Nunca mais
faça isso comigo novamente - ele disse ofegante, - Garota você me deixa sem
reação às vezes, sabia?
Nessa hora eu
fiquei sem fala e dei apenas um sorrisinho maroto, Henrique me guiou para
dentro da casa indo até a cozinha, não nos surpreendendo que eu estava com
fome, ele preparou uma deliciosa macarronada enquanto eu apenas o observava ao
lado do balcão, quando eu perguntei se ele queria ajuda e negou.
- Mora sozinho?
- Não resisti a curiosidade enquanto jantávamos.
- Sim, sou um
certo tipo de emancipado - Respondeu com certo orgulho.
- Hum - Foi a
única coisa que consegui dizer.
Depois do
jantar, decidi que iria lavar os pratos e ele secaria. E assim que tudo estava
limpo e guardado em seus devidos lugares, Henrique pegou e me beijou novamente,
senti aquela eletricidade percorrer pelo meu corpo como antes. Ele me segurou
como se eu fosse dele, me levantando e colocando sentada no balcão, meu vestido
preto que já era curto ficou ainda mais quando sentei, ficando um pouco
envergonhada, mas, para ele nada importava, ele me queria como eu o queria. Foi
acariciando minha pele com suas mãos quentes em meus ombros, descendo até parar
na minha cintura, quando fui puxada mais para ele, sussurrando meu nome
enquanto beijava meus lábios, fazendo-me querê-lo mais ainda, entrelaçando
ainda mais meus dedos em seu cabelo castanho.
E para estragar
aquele momento meu celular, que estava na bolsa, tocou. Maldita bolsa, onde
estava? Quando encontrei peguei o celular e disse:
- Alô?! - Atendi meio sem fôlego, e era minha
mãe desesperada.
- Katherine?!
Onde você está? Já era para você estar em casa - Ela me ralhou.
- Ok, já estou
indo pra casa, está bem? Beijo - Desliguei o celular querendo ficar ali
eternamente. - Tenho que ir pra casa - Disse para Henrique e como se
adivinhando o que estava sentido ele olhou com pesar e beijou levemente minha
testa.
- Vamos, eu te
levo - Descendo-me do balcão e me levando novamente até a garagem.
Entramos no
carro silenciosamente e pegamos a estrada novamente. O tempo com Henrique
passava rápido e logo já estava na frente da porta da minha casa, beijou-me
novamente e sai na escuridão da rua.
Entrei em casa,
como se estivesse extasiada.
Continua =)
Então gente, queria que quem estivesse acompanhando meus rabiscos da série, comentassem, vocês não imaginam como eu adoro quando começam a questionar o que vai acontecer depois e além de dar umas ideias eu sei que tem alguém que passa por aqui pra saber a continuação.
OBS.: as imagens aqui postadas no blog tem seu total direito autoral, mas não tenho posto pois já tenho as imagens faz um tempinho, então pessoal, valorizem os maravilhosos fotógrafos! Além de me inspirarem na série.