Capítulo 1
Talvez ninguém irá me entender, as palavras podem machucar minha alma.
Desde que nasci sempre senti que era especial, mas nunca
imaginei que quando tivesse de me mudar para esta deplorável cidade descobriria
realmente o que sou.
Meus pais decidiram se mudar para Sombrio em setembro
passado, já que meu pai fora promovido em sua empresa e teria de ser
transferido.
Sombrio em si até que era bonitinho, seu estilo rústico era
encantador, ok, eu admito que não conhecia muito a cidade pessoalmente mais
pela internet, descobri que até tinha o maior lago do estado, então percebi que
era um lugar importante, pelo menos na época de sua emancipação.
O clima não era tão diferente de Rio do Sul - cidade onde nasci
- o ar era úmido ao menos isso eu não iria diferenciar, além de ficar 240 km de
Florianópolis, a maravilhosa capital de Santa Catarina.
Sempre fui daquelas garotas que preferem se misturar na
multidão e não ser percebida por ninguém, como um camaleão, é claro que sempre
sonhei com um príncipe encantado como nas histórias clássicas, que minha mãe
lia para mim quando era pequena, mas nunca que imaginei que chegasse ao ponto
de ter de viver em um lugar assim.
O fato é que simplesmente viajar quase o estado todo para
chegar a uma cidade onde você não conhece ninguém, e ninguém te conhece é meio
assustador. Não seria fácil, uma garota de dezesseis anos no 3º ano do ensino
médio se adaptar a isso.
Como sempre meus pais se preocuparam com minha educação
básica e me matricularam em uma escola com apenas 563 – agora 564 – alunos, não
é de se estranhar que, como eu sou nova aqui, fosse o novo assunto da escola e
minha família a fofoca da cidade.
A casa é claro, é magnífica, fica no alto de uma subida
íngreme e, majestosamente tem a vista para a cidade, contém uma frondosa sala
de estar juntamente com uma biblioteca particular - provavelmente eram do
antigo dono da casa - três quartos e um jardim lindo, meu novo quarto fica de
frente para a vista da cidade, e quando o sol se põe cria uma linda paisagem do
tipo daquelas que se vê em quadros pintados por artistas do século passado.
Enquanto ainda admirava a vista, minha mãe entrou em meu
quarto com seu cabelo dourado ondulado muito bem escovado, é sério, minha mãe
era muito bonita e eu sentia até certa inveja dela por eu não ser muito
parecida com ela, tendo apenas alguns traços familiares. A sorte do destino, ou
se é o que posso dizer, é que meu cabelo saiu apenas encaracolado nas pontas,
comprido e de cor de mel, meus olhos semelhantes ao de minha bisavó - ao que
parece ela também tinha olhos verdes – e magrela que nem meu pai, é sério que
combinação mais ridícula, por quê eu tinha que sair com olhos diferentes de
meus pais e não azul?
Voltando no assunto...
- Aqui está meu bem, suas coisas já estão no lugar, e tem um
banheiro só seu. – disse minha mãe alegre me entregando uma espécie de diário –
Achei isto daqui perdido nas coisas do antigo dono da casa e pensei que você
iria gostar disso, está em branco, pode escrever se quiser.
- Claro, obrigada. – peguei o “diário” das mãos dela e pensei
perversamente se minha mãe se atreveria a ler um diário meu.
- Tudo bem então, irei ajudar o seu pai com as outras
coisas. – falou já saindo de meu quarto.
Curiosa, sentei-me em minha cama para observar o diário, ele
era de um tom lilás, com tramas douradas e prata que jamais vi, seu fecho era
apenas uma fita de seda com a mesma cor da capa, tinha de admitir, até que era
bonito.
Procurei
alguma caneta que me chamasse atenção para começar a escrever o que havia
acontecido comigo desde que chegara aqui. Como sempre escolhi a cor que mais
gostava e combinava com o diário, quando me preparei para escrever eu
finalmente me deparei com ele e meu Deus! Além do susto de ter um cara aqui no
meu quarto, ele era um tremendo gato! Ai Jesus me abana!
Minha mão
imediatamente voa para meu peito ─ como se isso fosse controlar meus batimentos
cardíacos ─ e trato de encará-lo. Olhei em volta para ver de onde ele poderia
ter vindo. Como esse garoto veio parar aqui? São mais de dois metros de altura
pra chegar aqui no meu quarto ─ isso se contar a possibilidade dele ter
escalado a parede ─ e meus pais o teriam visto caso ele passasse pelas
escadarias. E se ele for um serial killer? ─ sinto-me empalidecer só de pensar
─ Ou ele veio me sequestrar? Seria por isso que meus pais quiseram vir pra cá?
Para fugir de um perseguidor? ─ a adrenalina corre em minhas veias e a
claustrofobia vem à tona.
Jamais o tinha
visto, mas sentia como se já o conhecesse de muito tempo atrás, ele era um
pouco mais alto que eu, musculoso de uma forma que parecia uma escultura muito
bem esculpida, seus traços eram marcantes e reconhecíveis em qualquer multidão,
sua camisa justa revelava uma parte de sua barriga estilo tanquinho, seus
cabelos era de um tom adorável de castanho─claro e seus olhos, minha nossa,
eram azuis de forma que parecia um lago límpido sob a luz do luar. Imediatamente
levantei-me e pasma tentei falar.
─ Qu... qu...Quem
é você, e o que faz aqui? ─ puts cara, tinha que gaguejar pior que bêbado?
─ Olá para
você também, sou Henrique ─ falou com tal cadência.
─ O que está
fazendo aqui? Aliás, como entrou aqui? ─ perguntei, essa calma dele está me
deixando louca! ─ mais do que já sou, claro.
─ Ora, você me
chamou quando abriu este diário ─ disse apontando para a cama onde estava o
diário ─ E você, quem é, e o que está fazendo com aquilo?
─ Rá. O diário
agora é meu, está bem. ─ falei num tom de desdém, por favor que seja um
tremendo de um sonho, talvez até um pesadelo ─ E por qual motivo eu deveria lhe
dizer meu nome? Você não manda em
mim! ─
vociferei.
─ Olha aqui garota... ─ Deixando a frase sem
terminar
─ Olha aqui o quê? ─ perguntei, deixando a
pergunta pairar na esperança de que ele me explicasse por qual motivo estava em
meu quarto.
─ Dê-me o diário e vou embora ─ Respondeu friamente.
─ Não, ele é meu ─ Virei de costas e
escrevi meu nome bem legível no diário para ele ler.
─ Você não sabe onde se meteu ─ Falou, negando com a
cabeça.
─ Nossa que medo ─ Disse sarcasticamente,
mas eu estava morrendo de medo!
E de repente ele foi embora assim como apareceu, simples assim.
Tenho que confessar que tal visita me deixou abalada, o que ele quis
dizer com “Você não sabe onde se meteu”? Será que essa cidade não tem
segurança? Isso realmente estava me deixando assustada. Ou pior, ─ ou melhor, dependendo do ponto de
vista ─ será que eu sonhei?
Não. Claro que não, porque estou de pé ao lado da minha cama e que eu saiba não
sou sonâmbula. Será que é o ar que está me afetando? Só pode.
A única prova de que poderia ser real era meu nome escrito no diário, depois
disso, continuei escrevendo no meu novo diário a minha deplorável chegada ao
lugar mais estranho que já conhecera, deixando de fora o pequeno intruso
instantâneo na esperança de achar que fora apenas um truque da minha mente ─ tinha de ser.
E assim fui dormir cedo além passar o resto da tarde, escrevendo e
arrumando o quarto de um jeito que eu gostasse, porque amanhã seria um dia
bastante complicado para o primeiro dia de aula numa escola nova.
Continua =)
queeeeeeero mais, muito mais! Beijos Jessica
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