A escola era um lugar comum como todas as outras em que
estudei, não que eu tivesse frequentado várias. O aspecto do prédio de dois
andares não parecia ser muito novo, mas estava totalmente conservado em sua
arquitetura original.
E como minha sorte é ótima demais, começo o dia
completamente com o pé direito – como se esse fosse o caso – e no meio
dacalçada que ia até a portaria da escola, sem querer, – é óbvio - esbarro numa
garota que tinha com um copo de algo na mão. O problema é que acabou derrubando
na roupa da amiga que estava na frente, quando tudo que ela só pode pronunciar
antes do estrafego foi um “áh!”. Simplesmente paro pra pedir desculpas para as
duas:
- Ai, desculpa, eu não vi – tento ser educada e de repente
percebo que odeio esse lugar ainda mais.
- Veja o que você fez guria! Ensopou minha blusa! – exclamou
a obviamente garota encharcada e muito irritada. – vou acabar com a sua raça!
- Ora meu bem, estou morrendo de medo de você e suas garras
– falei sarcasticamente, levantando as mãos para cima – e realmente eu sinto
muito, mas você deveria ficar irritadinha com sua amiga, pois era ela quem
segurava aquele copo.
- Ei! Não me meta na sua discussão com a Jen! – disse a
outra amiguinha esquisita.
- Obrigada Clara por me apoiar – agora a tal “Jen” iria ser
a coitadinha? Eu estava louca pra chutar o pau da barraca de vez. E pra piorar
ela estava causando a maior cena e estava começando a chamar espectadores
curiosos. Merda! Ferrou de vez com a minha vida.
Eu já a descrevi, aquela que era chamada por “Jen”? Então se
prepara ela era alguns centímetros mais baixa que o meu 1,60m - o que prova que
eu estava um pouco em vantagem, além de não ter levado um banho do que
estivesse naquele copo - tinha cabelos ruivos onde chegavam praticamente em sua
cintura sem esquecer mencionar que estavamperfeitamente alinhados, e aquele
elfo esquecido de algum lugar tinha olhos verdes, vê se pode? Áh mais eu estava
totalmente louca pra entrar numa briga e descarregar minha raiva incessante que
já estava acumulando desde quando cheguei nesse fim de mundo. E aquela loiraque
agia como uma cadelinha então, o que era aquilo? Uma gangue de patricinhas no
meio daquela escola? Poupem-me né.
Bom, vamos à chamada Clara,a fiel escudeira de vossa
malvadeza era tonta igual a uma porta, mas até que era bonitinha, era mais ou
menos de nossa altura, talvez alguns centímetros a mais, seus cabelos eram
loiros levemente enrolados, mas extremamente domado com olhos azuis muito
parecidos com os do Henrique que não chegava ao mesmo tom dele, era algo meio
parecido com turquesa, estranho.
Então, respirando profundamente, tomei a melhor atitude que
poderia ter feito no momento, dar as costas aquelas duas megeras ambulantes e
deixa-las falando que nem loucas antes que a coisa piorasse ainda mais pro meu
lado, dirigindo-me para o edifício.
Os alunos pareciam bem entusiasmados com o fato de ter
terminado as férias de verão em janeiro e voltarem a ver os colegas de classe.
- Nada mais animador do que o primeiro dia de aula –
resmunguei sarcasticamente para eu mesma. – ótimo, não poderia ter começado
melhor meu dia.
Assim que coloquei os pés no edifício já fui recepcionada
por olhares de curiosos, além daqueles que presenciaram a cena escandalosa lá
fora, não era sempre que uma moça caia de paraquedas por lá. E por incrível que
pareça - ou não – todos já sabiam quem eu era. Alguns foram extremamente
agradáveis como Jared e Alexia, alunos que estavam na mesma sala que eu em
algumas matérias – como se não tivessem se informado antes quais eram minhas
aulas durante a semana.
Jared era um garoto agradável, com pele morena, cabelos
pretos, olhos verdes muito expressivos e com um sorriso e um corpo de matar,
era tímido – ou era o que ele queria passar à nova aluna –foi uma pessoa que
logo de cara se deu bem comigo.
E sua inseparável Alexia, era extremamente diferente intelectualmente
de Jared com exceção dos olhos que eram castanhos. Só depois de uma boa
conversa descobri que os dois nada mais eram irmãos gêmeos, não era de se
duvidar não é?
Na escola, não havia nada que me prendesse a realidade e
aquelas malditas palavras de Henrique ainda não saiam de minha mente.
- Maldito! – exclamei enquanto andava pelo corredor até a
minha próxima aula da manhã.
De repente eu encontro nada mais que o meu perseguidor na
escola, Henrique, com seu olhar de matar. Como ele apareceu aqui na escola? Já era aluno daqui?
Ou surgiu do nada a partir de ontem? E por que esse garoto tão irritante tinha de ser
tão bonito? Será que não tinha um candidato um pouco pior na
aparência física? Céus! Desse jeito eu iria enlouquecer de vez.
Ainda bem que ele não fez menção de vir falar comigo, por
que eu não saberia mais como reagir naquele momento. Segui correndo pelo
corredor à direita e fui para a sala de aula que deveria ser de química.
Quando o sinal tocou, ainda havia pessoas entrando na sala e
o pior que pudesse me acontecer acabou ocorrendo. Henrique também era da minha
classe, será que eu não teria um momento de sossego sequer?
A aula começou normalmente, exceto com as apresentações dos
alunos novos para a turma, e eu maravilhosamente era a única garota novata ali
além do meu perseguidor, Henrique, que em nenhum momento perdia a pose. Por que
Deus esse garoto tinha que ser uma tentação pra minha alma? Nossa Senhora! Se
eu não me cuidasse era capaz de me jogar nos braços dele. Totalmente tenso.
- Bem turma, vendo que a maioria já são conhecidos aqui,
pelo visto só há dois colegas novos, Henrique – que deu um meio sorriso para a
felicidade das meninas – e Katherine – já eu, dei um sorrisinho amarelo,
morrendo de vergonha da atenção de todos sobre mim – sejam bem-vindos.
- Obrigada – respondi timidamente.
Apesar desse desastre na aula, o resto continuou bem, bom,
pelo meu ponto de vista catastrófico. E ainda para a minha maior falta de
sorte, adivinhe quem se ofereceu para ser meu par na aula de química? Exato!
Ele! Por que diabo tinha que ser? E como ele apareceu aqui na escola?
Só podia ser carma da minha outra reencarnação, porque só
assim uma visão do paraíso como o Henrique olharia para alguém como eu e,
sinceramente, o que eu tinha que esse garoto não parava de me perseguir, além do
óbvio, se é o que você pode me entender.
Eu estava começando a aceitar a ideia de jogar da ponte
aquele maldito diário só para ter a minha vida solitária novamente, mas se
fizesse isso teria a possibilidade de nunca mais ver aquela maravilhosa
miragem, putz agora não sei mais o que fazer.
O professor começou sua admirável aula, deixando-nos
esquecidos na multidão, e droga, eu não conseguia me concentrar no que ele
estava falando porque minha mente teimosa escorregava a pensar neste misterioso
gato. Fiz um maior esforço pra não me jogar em cima dele e foi o maior sufoco
esperar até que a aula terminasse.
Parece que ouvindo minhas desesperadas preces o sinal tocou,
me libertando de ficar mais algum tempo perto dele e antes que eu pudesse fazer
mais alguma besteira. Sai o mais rápido da sala para ele não ter a oportunidade
de me seguir e fazer as garotas da escola me odiarem por ter o garoto mais gato
do colégio no meu calcanhar. Mas pra quê sair correndo não é? A criatura me seguiu e chegou ao meu
lado muito rapidamente, o que ele quer de mim agora? Não vai parar de
atormentar essa minha pobre alma com esse corpitcho sedutor?
- Não vejo
nada o que você possa ter esquecido comigo – disse caminhando sem olhar para
trás, maldição ele tinha de caminhar não perto de mim para sentir sua
respiração na minha nuca?
Paro de repente e me viro - O que foi Henrique, de uma hora para outra virou
meu segurança para me seguir ou virou um cachorrinho sem dona?
Ele também para bruscamente de quase me leva junto, mas
Henrique é Henrique não é?
Nunca perde a pose e ainda tenta me seduzir no meio do corredor, meu Deus que
vergonha, o que estou me tornando por causa dessa visão divina. Ele pega uma mecha
do meu cabelo e começa a brincar entre os dedos e diz:
-Anjo, por você eu poderia ser qualquer coisa.
Meu rosto começa a corar por causa desse comentário,
afasto-me repentinamentedele e respondo secamente:
- Não sou seu anjo, e que história é essa de ser qualquer
coisa por mim? Você nem me conhece
direito garoto.
- Você é quem pensa anjo – fala se aproximando de mim
novamente e passando o dedo lentamente subindo e descendo pela minha mandíbula,
ficamos alinhados cara a cara e por um breve momento penso que vai me beijar
ali mesmo – eu sei mais de você que podes imaginar, sei o que se passa na sua
mente e o que realmente deseja.
Começo a ficar ofegante e como num passe de mágica o contato
em minha pele cessa e vejo que estou sozinha novamente porque aquele idiota saiu
– mas dessa vez não desapareceu como no meu quarto – caminhando pelas pessoas
que ainda estavam no corredor. Voltei a si e fui o mais rápido possível para a
próxima aula e encontrar Jared na sala.
Continua =)